Com um estilo leve, delicado e cheio de ternura, Lili acredita que a poesia tem o poder de resgatar memórias em meio a calmaria da alma e reacender sentimentos esquecidos — como expressa em seus próprios versos:
Namoradeira
A jovem namoradeira
Vivia sempre aprontando
Se o garoto era “maneiro”
Ela estava namorando.
Um belo dia, a danada
Não sabia o que fazer,
Marcara com três rapazes.
Não podia aparecer!
O noivo dentro de casa
Queria ir ao cinema.
Como a menina sapeca
Ia resolver o problema.
Fingiu estar enjoada.
O otário acreditou.
E a menina atrevida
Do problema se livrou.
Lili Oliveira, 2016
Cheia de Vida
Pedi a amiga Lua
Que fosse velar teu sono.
Peguei ela a abraçar-te
E fiquei muito tristonho.
Perguntou-me a atrevida:
– O que você pretendia?
Eu não sou feita de carne,
Mas estou cheia de vida!
Senti meu rosto molhado.
A amiga, eu já não tinha.
Abraçar o meu amado
Foi a maior covardia.
As estrelas só sorriram
Ante a minha ingenuidade.
Pois aqueles que confiam,
Terminam só com a saudade.
Lili Oliveira, 2018
Dúvida
De pé a beira da estrada
Olhando pra bem distante.
Pensava se retornava
Ou se seguia adiante.
Em sua mente a incerteza
Ao relembrar esse dia.
Não sei se era, de tristeza
Ou se era de alegria.
Seus olhos se embaçavam.
Não sabia o que sentia.
As coisas se complicavam.
Isso ele bem entendia.
Olhou o céu novamente
E voltou a caminhar
O sol se punha distante.
É tempo de retornar.
Lili Oliveira, 2022